Na festa dos 40 anos da AASM, presidente do governo disse que a intervenção europeia no leite foi insuficiente e mal direcionada
No dia em que a Associação Agrícola de São Miguel (AASM) comemorou o seu 40º aniversário, em Santana (Rabo de Peixe), o presidente do Governo Regional classificou de insuficiente e mal direcionada a resposta da Comissão Europeia para fazer face aos problemas do leite que estão a causar uma baixa de preços e, por essa via, a afetar o rendimento dos produtores. A Comissão Europeia apresentou um pacote de ajudas de 500 milhões de euros para os produtores de leite europeus que acabou por ficar em 420 milhões (já que 80 milhões destinaram-se à suinicultura), tendo Portugal direito a apenas 4,8 milhões. Vasco Cordeiro resume essa intervenção a paliativos que deixam “inalteradas as causas da situação e incólumes as razões pelas quais o setor do leite, a nível europeu, está como está”.
Num discurso crítico dirigido às instituições europeias, o chefe do executivo açoriano defendeu a necessidade de se aprofundar e enfrentar os problemas de mercado relacionados com o leite. “Não podemos deixar de considerar como insuficiente e mal direcionada a resposta que, a nível europeu, foi dada a esta situação. Insuficiente porque estamos a falar da atribuição a todo o nosso país de uma verba de 4,8 milhões de euros. Só o Governo dos Açores, nas medidas que definiu com base no Orçamento da Região, tem mecanismos de ajuda num montante semelhante a toda a ajuda que a União Europeia dirigiu a Portugal”, salientou.
Vasco Cordeiro lembrou que o seu governo tem investido em infraestruturas (abastecimento de água, eletrificação de explorações, e melhoria de caminhos), apostando ainda na formação e qualificação de agricultores, medidas de apoio ao rendimento, criação de linhas de crédito e antecipação de pagamentos. Revelou que está a ser preparada com a Federação Agrícola dos Açores uma outra medida respeitante à reestruturação das explorações.
Na altura, o presidente da AASM não deixou de recordar os problemas que a agricultura enfrenta com o fim das quotas leiteiras e o embargo russo, sublinhando que esses problemas podem ser mitigados com a união dos agricultores. “Com a força que a lavoura tem demonstrado ao longo dos anos e com a forma que tem de se regenerar nos momentos difíceis, este é um marco importante. (São) 40 anos de uma grande associação em que queremos fazer muitos mais anos, todos em conjunto”. Jorge Rita enfatizou que a agricultura “é o pilar fundamental da nossa economia e é o setor mais importante que pode potenciar outros, como o turismo e vice-versa”.
João Machado, presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), também se associou aos 40 anos da AASM. Destacou que a agricultura vive um momento “muito bom”, desde logo porque foi alvo de um investimento de 8 mil milhões de euros nos últimos seis anos que permite prever que a balança nacional nesta atividade estará equilibrada em 2020.
FONTE: Açoriano Oriental