Taxas Chinesas preocupam produtores de cereais americanos

Grupos que representam agricultores nos Estados Unidos disseram que tarifas chinesas podem reduzir em bilhões de dólares o valor da produção norte-americana de grãos, e alguns produtores já estudam mudanças em seus planos para o plantio, que deve começar em algumas semanas no Meio-Oeste. Nesta quarta-feira, 4, a China ameaçou sobretaxar uma série de produtos norte-americanos, incluindo soja e milho.

"Vínhamos alertando o governo e membros do Congresso que isso aconteceria desde que começaram as especulações sobre as tarifas", disse John Heisdorffer, produtor de soja de Iowa e presidente da Associação Americana de Soja. "Infelizmente, isso não traz nenhum alento aos milhares de produtores de soja que serão afetados por essas tarifas." O grupo estima que a queda do preço da oleaginosa nesta quarta-feira diminuiu em mais de US$ 1 bilhão o valor da safra norte-americana.

O país asiático é o maior comprador mundial do grão e no ano passado absorveu mais da metade das exportações dos EUA. Segundo o Departamento de Agricultura do país (USDA), as compras chinesas de soja norte-americana totalizaram 32 milhões de toneladas em 2017, ou aproximadamente 58% das exportações totais dos EUA.

Autoridades chinesas não disseram quando as tarifas serão implementadas, mas a ameaça aumentou temores de que agricultores e pecuaristas dos EUA sofram perdas com uma eventual escalada da disputa. Na segunda-feira, já tinham entrado em vigor tarifas chinesas contra carne suína, frutas e etanol dos EUA, em resposta à decisão do governo Trump de sobretaxar a importação de aço e alumínio.

O secretário de Agricultura dos EUA, Sonny Perdue, tentou tranquilizar os produtores do país. "Conversei com o presidente ontem à noite", disse Perdue. "E ele me disse, 'Sonny, você pode assegurar aos agricultores que não vamos permitir que eles sejam vítimas se essa disputa comercial se acirrar. Vamos cuidar de nossos produtores. Pode dizer isso diretamente a eles.'"

Zippy Duvall, presidente da Federação Agrícola Americana, um dos principais grupos de lobby do setor, disse que essa disputa tem de acabar. "Sabemos que os mercados sobem e descem", disse Duvall. Mas a ameaça de retaliação chinesa "está testando a paciência e o otimismo de famílias que estão enfrentando a pior situação econômica na agricultura em 16 anos".
A empresa de alimentos Cargill também disse estar "bastante preocupada" com a escalada das tensões comerciais entre os dois países. A disputa "pode levar a uma guerra comercial destrutiva com sérias consequências para o crescimento econômico e a criação de empregos", disse a companhia. "Não há vencedores em uma guerra comercial."

Alguns produtores estão repensando suas estratégias para o plantio em resposta à ameaça chinesa. A menos de duas semanas do início do plantio em sua exploração de 809 hectares no Estado de Illinois, o agricultor Aaron Wernz disse que uma queda acentuada dos preços da soja e preocupações de que as tarifas reduzirão as exportações podem levá-lo a plantar mais milho - e menos soja - do que ele pretendia originalmente. Ele também vai examinar com mais atenção as futuras compras de sementes e fertilizantes se os preços de grãos continuarem deprimidos, disse. "Eu provavelmente acabei de perder US$ 50 mil."

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