Negócio do leite entre Açores e Angola escapa a relações azedas

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Os protocolos celebrados entre os Açores e Angola na área da produção leiteira não ficaram abalados com o recente anúncio do fim da parceria estratégica com Portugal, feito pelo presidente angolano, José Eduardo dos Santos. No passado dia 10 de setembro, foram assinados protocolos entre os Açores e Angola na área da agropecuária e da produção leiteira.

Um dos protocolos foi assinado pelo Governo Regional, através da Secretaria dos Recursos Naturais, e o Instituto Nacional de Apoio às Pequenas e Médias Empresas de Angola, com vista a assegurar apoio à formação específica para a produção de bovinos de leite no Planalto do Uíge. O outro protocolo foi celebrado entre a Federação Agrícola dos Açores (FAA) e a Agripekus, empresa responsável pela implementação de explorações pecuárias naquela província, nos domínios do melhoramento genético e maneio animal. Uíge sempre foi uma região angolana com vocação agrícola, mas tem fábricas de leite ao abandono, possibilitando o acordo com os Açores a reativação desse setor. O protocolo possibilitará a entrada em funcionamento de uma unidade industrial de laticínios em Angola, país deficitário em termos agrícolas, e a contratualização do acompanhamento técnico providenciado pelos Açores.

Segundo o presidente da FAA, Jorge Rita, o negócio entre ambas as partes decorre com “normalidade”, o que é atestado, de resto, com a deslocação em breve de um grupo de três técnicos açorianos a Angola para a transmissão de ‘know how’ e prestação de apoio para a implementação de explorações pecuárias.

Durante alguns dias, estes técnicos farão análises, em primeiro lugar, às condições dos terrenos angolanos e às culturas forrageiras que melhor se adaptam a eles, por forma a avançar-se depois para a fase seguinte, que é a rentabilização dos animais.

Jorge Rita prefere não quantificar os valores do negócio, assente num “projeto de leite”, mas pressupõe, entre outros aspetos, a venda de máquinas de ordenha fabricadas na Região àquele país africano.

Do lado do Executivo, a informação transmitida confirma que “nada está posto em causa” e, na parte que lhe diz respeito, o protocolo será implementado em 2014.

Durante o discurso sobre o estado da Nação, na Assembleia Nacional de Angola, José Eduardo dos Santos disse que, “só com Portugal, as coisas não estão bem”, porque “têm surgido incompreensões ao nível da cúpula e o clima político atual, reinante nessa relação, não aconselha à construção da parceria estratégica antes anunciada”. No atual momento de tensão por que passam as relações luso-angolanas, não estão alheias as investigações do Ministério Público português a empresários angolanos.

FONTE: Açoriano Oriental

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