Mais um projeto de leite biológico nos Açores

António Soares, agricultor de São Brás, é um dos oito produtores de leite terceirenses integrados num projeto para comercialização de leite biológico, lançado pela UNICOL.

Este projeto já decorre há mais de dois anos, tendo sido esse período dedicado à conversão das terras. A conversão dos animais prolonga-se por seis meses. Em maio deste ano, estes produtores serão, “oficialmente”, biológicos.

“Foi a UNICOL que nos apresentou este projeto. Alguns, se calhar, foram à sorte, mas eu não… Já tenho estas vacas há 12 anos e sempre tive terra para ter sessenta vacas, mas tive sempre só 30… A minha exploração vive quase só da erva. Uso poucos concentrados e não preciso de erva de rolos, nem faço silagem de milho”, explica, logo à partida. “Já tinha mais de meio caminho andando”, resume. O que muda, então, quando se transita para o sistema biológico? As rações tornam-se mais caras, desde logo. “Estava a ordenhar as vacas com cinco quilos de ração e passei a ordenhar com três e a minha ideia é ir só para um quilo de ração por dia, para viverem só da pastagem”, precisa.

Os produtores em modo biológico não podem também usar herbicida e têm de obedecer a um encabeçamento. Remédios, “são muito poucos”. A cereja no topo do bolo é o bem-estar animal: Estes não podem estar amarrados ou em cima de lama, há procedimentos que exigem a presença de um veterinário. António Soares considera que indústria, produtores e Governo Regional estão “muito empenhados” no projeto. “Estamos com muita esperança”, diz.

Os produtores envolvidos encontram-se já a receber mais dez cêntimos por cada litro de leite.

A mudança

Para o produtor de leite, em breve biológico, o que começou com estes oito agricultores pode ser uma semente para a mudança na ilha. Menos vacas, menos custos de produção e mais sustentabilidade é o que espera. “Parece-me que nasci nos cerrados. Desde pequeno que gosto de vacas. O meu pai era ferreiro, mas foi criando a sua lavoura, há 45 anos. Nessa altura, isto era tudo biológico. Não havia adubos, rações, veterinários, remédios, herbicidas… Viemos por aí abaixo a dar cabo de tudo”, lamenta.

Consegue encontrar um exemplo muito recente: “Este último ano foi de seca. Houve pessoas que semearam milho, puseram os herbicidas em cima das terras, nunca choveu para lavar aquele herbicida... Quando puseram as sementes na terra, estas apanharam com os herbicidas em cima e morreram. Tiveram de remexer aquela terra toda.

“O principal problema das nossas explorações é que têm vacas a mais”. António Soares está integrado num projeto para produção de leite biológico, lançado pela UNICOL. Diz que está aí a chave para o futuro.

“Há meio século isto era tudo biológico”. O principal problema, para além, de considerar ser preciso respeitar o Ambiente, António Soares defende que as pastagens da ilha têm vacas a mais. “O problema número um das nossas explorações é que temos vacas a mais. Ninguém tem coragem de dizer isso. Aí, temos leite a mais. E tendo leite a mais, o preço nunca sobe. Com va-cas a mais também temos bezerros a mais e o preço da carne também não sobe… Ainda no setor do leite, surgem os rateios nos subsídios e limites de produção. Multas aí à porta, e muito bem… Enquanto não for posto um travão, nunca mais isto tem jeito nenhum”, afirma.

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