JM vai investir 20 milhões no agrolimentar nos próximos 2 anos. Fábrica de leite em Portalegre produz o primeiro leite fresco de marca própria.

Carmen de Bizet não é o que estamos à espera quando entramos numa vacaria na zona da Herdade do Monte Trigo, a 30 quilómetros de Évora. Muito menos pavilhões equipados com ventoinhas, chuveiros e escovas de massagens, onde vacas leiteiras holstein-frísia se esfregam com ar deliciado. “Não se ouve os animais irrequietos, estão calmos”, comenta António Serrano, CEO da Jerónimo Martins Agroalimentar. “Um animal stressado produz menos leite.” E numa unidade de produção é tudo o que não se quer. Duas vezes por dia, dois robôs correm os três pavilhões, garantindo que há sempre comida, e fresca, à boca de semear das 900 vacas em produção, de um total de 1600 efetivos, situados na herdade alentejana com 1100 hectares do grupo JM. Dez milhões de litros de leite por ano seguem para Portalegre para a fábrica de leite: um investimento “próximo dos 50 milhões” e que produz leite fresco do Pingo Doce, o primeiro de marca própria de uma cadeia de distribuição. É uma das 40 referências de leite, manteigas e natas produzidas na fábrica situada na freguesia de Urra, mesmo à entrada de Portalegre. Com dez hectares de área, com 24 mil metros quadrados de área construída, a fábrica, onde o grupo estimava inicialmente investir 40 milhões, produz todo o leite de marca própria do Pingo Doce e do Recheio (marcas Masterchef e Amanhecer). Mas a ideia é expandir o portefólio. “Vamos desenvolver novos produtos, consoante o consumo”, assegura António Serrano. Já em janeiro devem arrancar com seis novas referências, entre as quais manteiga sem sal e leite sem lactose. “Hoje vende-se muito menos leite do que no passado, o consumo caiu cerca de 10% nos últimos seis anos.” Os números são claros. Em 2018 cada português bebia, por ano, 73 litros de leite, acima da média europeia de 56 litros per capita, mas abaixo dos 80 litros consumidos em 2013. Uma quebra de consumo com impacto direto na produção. Basta olhar para a região onde a fábrica está localizada para se constatar essa realidade. “A produção na região também tem vindo a baixar, cerca de 8% nos últimos quatro anos”, exemplifica. O grupo dono do Pingo Doce entrou na indústria leiteira depois de, em 2015, assumir a fábrica da cooperativa Serra Leite. A unidade mudou anos depois para a sua atual localização e aumentou capacidade: saltou de 30-40 milhões para um potencial de produção entre 90-100 milhões. Hoje, está nos 65 milhões, recebendo diariamente 200 mil litros de leite, dos quais 40 mil dos 20 associados da cooperativa. Um investimento em contraciclo com o consumo, mas feito para garantir acesso a matéria-prima para a marca própria do grupo de retalho alimentar. Razão pela qual Manuel Serrano admite que há vontade em aumentar o efetivo na herdade de Monte Trigo. Afinal os cem milhões de capacidade de produção são apenas 5% dos dois mil milhões de leite atualmente produzidos em Portugal. “Temos planos para aumentar os efetivos para 1300 animais em produção, o que significa que teremos um total de 2200-2300 animais”, diz António Serrano, aumentando de dez para 17 milhões o volume de leite produzido em Monte Trigo. Aposta no angus Uma sala de ordenha robotizada ou melhoramentos nos pavilhões são alguns dos investimentos que o grupo pensa fazer na vacaria, num total de quatro milhões em dois anos. Mas não só. Dos 20 milhões previstos nesse período, o grosso, 16 milhões, será canalizado para a construção de um pavilhão de engorda de gado bovino angus. Com capacidade para receber cinco mil animais, o pavilhão vai ocupar 40 hectares (incluindo áreas de apoio e de circulação) de Monte Trigo. Depois de Manhente (Barcelos) e Cartaxo, a herdade alentejana é uma das três propriedades onde o grupo se dedica à engorda os Angus, vindos dos 200 criadores do Continente e Açores com quem trabalham. Neste momento, estão a entregar nos supermercados do grupo cerca de quatro mil animais ano. “Em 2021 queremos entregar entre 7500-7700 animais, metade do nosso objetivo de 15 mil animais.” É uma das áreas do negócio agroalimentar do grupo, juntamente com a aquacultura, onde já têm unidades na Madeira e Sines, produzindo duas mil toneladas/ano de dourada e robalo. “Enquanto cidadão a minha preocupação é também com a sustentabilidade dos territórios e isso só se consegue com produção local, com agricultura, produção animal, industrial, de forma equilibrada, comprometida com os nossos ecossistemas.” Cerca de cinco anos depois do arranque, a área de agroalimentar, emprega 200 trabalhadores e recebeu 150 milhões de investimento. Notícias como a proibição de carne de vaca nas cantinas da universidade de Coimbra não são desincentivadores de investimento? “Via com muito bons olhos que a universidade dissesse que vão dar preferência à carne produzida na região, evitar carne importada. Banir um produto com base em nada, em preconceito, em falta de conhecimento científico, vindo de uma instituição com responsabilidades, vejo com muita preocupação.”
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