O Presidente da Comissão Europeia, JeanClaude Juncker, defendeu, ontem que a relação entre a Comissão Europeia e as Regiões Ultraperiféricas é de parceira e não de condescendência, esperando uma mobilização das RUP’s no sentido de participarem no processo de geração de melhorias na aplicação dos fundos europeus. O objectivo prioritário “é dar respostas concretas, focalizadas e o mais rápidas possíveis às expectativas e preocupações dos nossos cidadãos, pelo que temos de pensar numa melhor aplicação dos fundos europeus. Gostaria que as RUP’s se mobilizassem no sentido de participarem neste processo”, afirmou Jean-Claude Juncker, que discursava no segundo dia de trabalhos do IV Fórum das RUP, realizado em Bruxelas. O Presidente da Comissão Europeia considerou que o fórum assume importância particular, num momento em que há preparar o futuro em conjunto. A Comissão Europeia vai preparar dentro de alguns meses uma estratégia renovada, “procurando ir ao encontro das expectativas dos cidadãos”. “Não estamos na nossa torre de marfim a fazê-lo sozinho, fazemos convosco e para vós, é uma parceria assente no conhecimento aprofundado das especificidades das RUP’s, que não está ainda muito afinado na Europa. Vamos procurar um conhecimento mais aprofundado”; frisou. Juncker reconheceu que cada região ultraperiférica é muito diferente entre si, cada qual com suas especificidades “que a Comissão Europeia continuará a levar em conta. Os constrangimentos estão bem reconhecidos e consagrados no Tratado, e só uma abordagem específica região a região poderá responder a cada desafio”. O Presidente da Comissão garantiu ser apoiante do conteúdo e da lógica que subjazem ao acordo do Tribunal de Justiça da UE, de Dezembro de 2015. “Com este acordão, temos uma base sólida para dar uma dinâmica à nossa parceria e usar melhor os meios de que dispomos para ajudar as RUP’s”, vincou. Jean-Claude Juncker disse ainda que a Comissão Europeia está “muito atenta” às especificidades das RUP’s no que respeita à política comercial e espera que cada região aproveite mais os programas como Erasmus ou Cosmo, para empresas, que podem ajudar na questão do emprego jovem. “Os números do desemprego jovem nas RUP’s são aterradores, portanto temos de conjugar esforços neste combate ao desemprego, uma questão com responsabilidade partilhada”. Contudo, ressalvou, “não podemos pensar que a Europa tem resposta para tudo. É perigoso desenvolver falsas esperanças, que podem redundar em desesperos e o nível nacional deve desempenhar o seu papel e não esconder
se por trás da Comissão.” Juncker afirmou também que “seria bom ter taxas elevadas de produção de energias renováveis no território continental, como acontece nos Açores e nas Canárias. No final da sua intervenção, Jean-Claude Juncker recebeu das mãos do Presidente da Ilha da Reunião, Didier Robert, o memorando conjunto das RUP. Resumindo em algumas palavras, Didier Robert referiu que o memorando assenta “na solidariedade, na competitividade das empresas e na atractividade dos territórios” das Regiões Ultraperiféricas.