INDÍCE VL-ERVA: PRODUÇÃO DE LEITE ABAIXO DO LIMIAR DE RENTABILIDADE

Por António Moitinho Rodrigues, docente/investigador, Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Castelo Branco; Carlos Vouzela, docente/investigador, Faculdade de Ciências Agrárias e do Ambiente da Universidade dos Açores/IITAA; Nuno Marques, Revista Ruminantes.
Analisamos, neste número da Ruminantes os Índices VL e VL – ERVA, para o período de novembro de 2020 a janeiro de 2021. De acordo com os dados do SIMA-GPP (2021), o preço do leite pago aos produtores do continente manteve-se constante nos três meses em análise (0,315 €/kg). Pelo contrário, na Região Autónoma dos Açores o preço médio do leite pago aos produtores individuais variou entre 0,288 €/kg, em novembro de 2020, e 0,282 €/kg, em janeiro de 2021.

Ao analisarmos os dados disponibilizados pelo MMO (2021), o preço médio do leite pago ao produtor no período de novembro de 2020 e janeiro de 2021 foi, mais uma vez, muito inferior em Portugal (0,3049 €/kg) quando comparado com a média da UE27 (0,3500 €/kg), o que representa uma impressionante diferença de -4,52 cêntimos/kg.

Comparando com a vizinha Espanha, o preço pago aos produtores portugueses foi inferior em -2,49 €/kg de leite. Em janeiro de 2021, Portugal foi um dos 3 países da UE onde o kg de leite foi pago ao preço mais baixo. Só na Estónia (0,2970 €/kg) e na Letónia (0,2953 €/kg) o preço do leite pago aos produtores foi inferior. Mais uma vez, consideramos inaceitável que Portugal continue a ser, desde há vários anos, um dos parentes pobres da UE27 com preços mais baixos pagos ao produtor de leite.

Como temos vindo a dizer, desde há vários meses, é necessário tomar medidas claras para inverter esta tendência. Corremos a passos largos para uma situação limite em que o leite voltará a ser mais um dos produtos agrícolas que dependerá das importações para satisfazer o consumo nacional per capita, por os produtores não serem capazes de fazer frente aos custos de produção, o que os poderá levar a abandonar este setor produtivo.

Relativamente ao trimestre anterior, o preço médio das principais matérias-primas que entraram na formulação dos alimentos compostos utilizados neste trabalho sofreram um acentuado aumento que variou entre +22,5% no bagaço de soja e +8,6% no bagaço de girassol.

A evolução do preço das matérias-primas provocou um aumento de 12,6% no preço do alimento composto e de 7,9% no custo da alimentação da vaca leiteira tipo do continente. Na Região Autónoma dos Açores, o regime alimentar do trimestre em análise incluiu menor consumo de pastagem e maior consumo de alimento composto e de alimentos conservados.

Este regime alimentar, aliado ao aumento do preço das matérias-primas que entram na formulação do concentrado provocou um aumentou de 19,4% nos custos com a alimentação da vaca tipo. A tendência decrescente do preço do leite e crescente dos custos com a alimentação refletiu-se nos Índices VL e VL – ERVA que em janeiro de 2021 foram, respetivamente, de 1,529 e de 1,509. De referir que em janeiro de 2020, o Índice VL havia sido de 1,735 e o Índice VL – ERVA de 1,784. Um índice igual ou inferior a 1,5 (valor muito baixo) indica forte ameaça para a rentabilidade da exploração leiteira; um índice entre 1,5 e 2,0 (valor moderado) indica que a produção de leite é um negócio viável; um índice maior do que 2,0 (valor elevado) indica que estamos perante uma situação muito favorável para o sucesso económico da exploração (Schröer-Merker et al., 2012).

Durante o trimestre em análise, o Índice VL atingiu o valor mínimo de 1,529 em janeiro de 2021 tal como o Índice VL-ERVA que, no mesmo mês, atingiu o valor mínimo de 1,509. Estes resultados permitem afirmar que em janeiro de 2021, tanto os produtores de leite do continente como os da Região Autónoma dos Açores, se encontravam numa situação muito difícil, continuando a trabalhar no limiar da rentabilidade da exploração.

De realçar que o Índice VL-ERVA reflete a realidade da produção de leite muito mais interessante na ilha de S. Miguel onde é produzido cerca de 60% do total de leite dos Açores. Nas outras ilhas do Arquipélago, a conjuntura é bastante mais desfavorável. NOTAS • o preço do leite pago aos produtores do continente em janeiro de 2021 foi superior em 0,1 cêntimos/kg relativamente ao preço pago em janeiro de 2020.

Nos Açores, o valor pago por kg de leite em janeiro de 2021 foi bastante mais baixo (-1,5 cêntimos/kg) do que o valor pago em janeiro de 2020; • registaram-se aumentos acentuados dos custos de alimentação da vaca durante o trimestre em análise, no continente +7,9% e nos Açores +19,4%; • as duas considerações anteriores refletem-se nos Índices VL e VL – ERVA que em janeiro de 2021 foram, respetivamente, de 1,529 e 1,509.

F. Ruminantes

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