Erva e milho local não evitam custos com rações para as vacas

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Os gastos com rações representam uma grande fatia dos custos anuais de produção de uma exploração agrícola. As rações são essenciais para manter os níveis de produção, mais ainda em anos atípicos para a erva e o milho como 2013, mas além disso, as matérias-primas alimentares passaram a ser um produto especulativo nos mercados internacionais, face às perspetivas de aumento da população e de escassez de produção agrícola no futuro, a que se junta a ‘pressão’ dos biocombustíveis, que usam muitas dessas matérias-primas e inflacionam o seu preço.

Mas mesmo apesar da tentativa dos produtores terem cada vez mais alimento próprio retirado dos cortes de erva e dos milhos para forragens, perante o nível de produção e de qualidade do leite que se atingiu atualmente nos Açores, nunca será possível acabar com a dependência das rações na alimentação das vacas.

“Não temos área disponível nas ilhas para uma maior produção de cereais e é impossível substituirmos as rações, a não ser  que reduzíssemos drasticamente o número de animais, não só no setor leiteiro, como no setor da carne”, alerta o presidente da Associação Agrícola de São Miguel, Jorge Rita. Até porque, afirma, “não há animais que comam só rações ou só forragens , os animais são alimentados equilibradamente com forragens, rações e erva consumida na pastagem”.

E se é verdade que o consumo de erva diretamente na pastagem é a grande vantagem dos Açores na produção de leite, com os custos mais reduzidos que isso implica face aos maneios intensivos em estábulo que se praticam no continente e noutros países, também é verdade que as rações acabam por ser indispensáveis porque, como não há mais área disponível nas ilhas para pastagem, nunca se poderia ter aumentado a produção de leite - mantendo o número de vacas - sem o recurso às rações entre outros fatores, como a genética.

Com a subida do preço das rações, tem havido nos últimos anos um aproveitamento ao máximo das possibilidades de utilização de alimentos próprios para o gado, recorrendo-se ao corte de erva nas pastagens para rolos nas alturas de excedentes e à plantação de milho para forragens.

O presidente da Associação Agrícola de São Miguel reconhece que esta é uma realidade na lavoura micaelense atualmente, mas lembra que mesmo intensificando-se a produção, por exemplo, de milho para forragens, há riscos climatéricos que podem deitar tudo a perder, como aconteceu este ano, onde a seca prolongada do verão prejudicou, em média, cerca de metade da produção de forragens de milho em São Miguel, com mais incidência numas zonas da ilha do que noutras.

“Este ano foi um ano atípico, em que pode ter havido mais terrenos semeados, mas as produções foram muito menores”, afirma Jorge Rita. Por isso, foi necessário o Governo Regional disponibilizar uma verba de 1 milhão de euros em duas tranches de 500 mil euros para a compra de matérias-primas para rações, uma quantia importante mas que o presidente da Associação Agrícola de São Miguel lembra não ser muito significativa se tivermos em conta o peso que a pecuária tem na economia açoriana e o número de produtores e de cabeças de gado abrangidas por esse apoio alimentar.

FONTE:
Açoriano Oriental

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