Nuno Alexandre Pinheiro Soares Aguiar
Concelho: Vila Franca
Freguesia: Ponta Garça
Idade:33 Anos
Área: 47 ha (337,5 alqueires)
Localização das parcelas: Ponta Garça
Animais: 58 Vacas em produção, 15 vacas secas, 20 novilhas e 11 vitelas.
Recursos Humanos: O próprio e um empregado
Parcelas de renda: A totalidade
Milhos: 40 alq.
Formação: Sempre que pode, possui várias formações.
AJAM – Nuno, apesar de possuir uma ordenha móvel,tem conseguido alcançar uma pontuação excelente (pontuação máxima todos os meses), como é que isso se consegue?
Há alturas do ano em que é mais difícil alcançar esse patamar,
principalmente a nível das células somáticas, há momentos em que aparecem mais mamites. Com a contagem de microbianas não há grandes problemas mas com as células somáticas, é necessário persistência diária, estar sempre atento e em cima dos animais.
AJAM - Ao acompanharmos a sua ordenha verificamos que faz a gestão dos quartos de ordenha, de onde é que vem esta ideia?
Vem do meu pai. Os meus irmãos acabam por brincar comigo dizendo que sou muito miudinho, mas desta forma, evito sobreordenhas nos quartos dianteiros visto
que se ordenham mais depressa. Gosto de fazer bem o trabalho, já tive outras experiencias, fui para o estrangeiro, inicialmente não gostava muito desta vida mas depois dediquei-me de corpo e alma e agora gosto daquilo que faço, apesar de atualmente as coisas não serem muito fáceis.
AJAM - Já que estamos a falar do seu início de carreira, como é que começou esta atividade?
A exploração começou com o meu pai, depois fiz um projeto de primeira instalação com 18 anos, mais tarde adquiri uma outra exploração com cerca de 20 vacas e alguma terra, terra sempre arrendada. Fui seguindo o meu percurso, tive a ajuda dos meus pais e dos meus sogros. Atualmente como as coisas estão, é necessário um travão. Os recursos á banca estão mais difíceis e cada vez
mais caros. O meu objetivo é chegar às 100 vacas, atualmente estou com 58 em produção, vamos ver nos próximos anos o que se poderá fazer…
AJAM - Tem consigo também um empregado, mas pelo que sabemos a experiencia que ele tem adquiriu-a consigo…
Sim é o meu braço direito, trabalha comigo há 6 anos. É novo, com uma mentalidade diferente. Ele não vinha do meio agrícola, veio para este meio para trabalhar comigo. Aprendeu com minha experiencia, não quer dizer que ele não tenha aprendido por outras vias, mas para mim foi uma vantagem não ter experiencia. Apesar de ter de ensinar as coisas, tinha como vantagem não ter determinados “vícios” ou práticas incorretas adquiridas noutras explorações.
AJAM - Atualmente já só pode beneficiar de apoios para a modernização da exploração, visto que já fez um projeto de primeira instalação. O que é tem a dizer das candidaturas atualmente? O processo é mais célere, menos burocrático?
O prémio á primeira instalação aumentou, o que é bastante bom. Também me parece menos burocrático, reduziram muito a carga horária da formação, havia
determinados temas com cargas horárias muito elevadas, sem qualquer interesse. É um apoio fundamental, falo por mim porque foi uma ajuda muito importante, permitiu-me avançar e estar onde estou agora.

AJAM - O acesso à informação está mais facilitado?
Sem dúvida, só não tem acesso à informação quem não quer. A informação vem de todos os lados até os privados são vínculos de divulgação, embora com interesses comerciais mas são também uma forma de divulgação.
AJAM - Sendo a Ponta Garça uma das maiores bacias leiteiras da ilha, quais são as suas perspetivas para esta zona e também as dificuldades?
Comparativamente com há alguns anos atrás, estamos a progredir bastante. A nossa cooperativa (de Santo Antão) tem-nos ajudado bastante, será talvez uma das maiores. Conseguiu um acordo com a Bel alcançando assim uma majoração no preço de leite aos associados. Nem todos os lavradores da ilha concordam,
sei que é difícil para um produtor do Nordeste saber que um de Ponta Garça ganha mais, mas é fruto de negociações. A terra é uma limitação, cada palmo de terra é disputado até á última, mas é um pouco à semelhança do que se passa nos outros lados, mas temos ainda possibilidade de progredir. Sinto-me um privilegiado em ser da Ponta Graça e tenho tudo o que preciso nesta casa (cooperativa).
AJAM - E acessos às explorações?
Também me considero muito satisfeito, não estamos minimamente prejudicados, temos bons acessos.
AJAM - E o abastecimento de água?
Esse ponto já é mais complicado. No verão complica-se mais um pouco, este verão foi difícil embora tenha sido geral. Tem-se desaproveitado muita água.
AJAM – A seca do ano passado foi então muito complicada…
Bastante! Na pastagem nem tanto, mas nos milhos foi um ano para esquecer. Uns foram afetados mais que outros, mas no geral foi muito mau.
AJAM - As quotas continuam a dar muito que falar.
Apesar do seu fim anunciado, as opiniões são divergentes. Uns são a favor, outros contra, qual é a sua opinião?
Relativamente a esse assunto, estou com um pouco de receio. Com a liberalização das quotas haverá aumento da produção e sem limites de produção, o preço de leite irá cair a pique. Dadas as nossas características dos açores, temos um mercado muito limitado, será péssimo para nós.
AJAM - Deixa algum conselho aos colegas?
Sim, que as pessoas se foquem mais no trabalho e na qualidade. A entrega do PRÉMIO PRODUTOR EXCELENTE é bom, é um reconhecimento. Mas como costumo dizer, a
melhor recompensa é no fim do mês com o cheque do leite, ainda há gente que não faz contas. Um bom trabalho, bem organizado, tem sempre retorno.
