Incompreensivelmente, a BEL Portugal anunciou que nesta nova campanha de Verão iniciada a 1 de Março, vai manter a política de redução no preço do leite pago à produção na região entre Inverno e Verão, reduzindo 2,5 cêntimos por litro de leite, quando se verifica uma procura de leite a nível nacional e internacional.
Tal posição mostra o carácter de irresponsabilidade, desrespeito e indiferença que esta indústria assume perante aqueles que são a sua fonte de rendimento e por todos aqueles que dependem deste sector, os quais atravessam uma fase conturbada face ao aumento dos factores de produção na agricultura. Simultaneamente assistimos a um generalizado crescimento exorbitante dos lucros do sector da transformação.
Não podemos, também, deixar de manifestar a nossa satisfação pela posição da UNILEITE que voltou mais uma vez a impulsionar o preço do leite em S. Miguel abdicando de qualquer redução.
Lamentamos a decisão do grupo BEL seja tomada numa altura em que os produtores estão impedidos de transitar de fábrica (até Junho), e do facto da UNILEITE não possuir dimensão para laborar muito mais leite no caso de um aumento repentino nas entregas.
É fundamental que se faça reflectir também na produção o momento favorável pelo qual o mercado dos produtos lácticos atravessa. É do conhecimento público o fosso de preços que se verifica entre o valor pago aos produtores do Continente e o dos Açores. Tal decisão só irá contribuir para um agravamento dos já depauperados produtores Açorianos. Mais grave ainda é o facto da mesma indústria efectuar uma redução no Continente de 4% e em S. Miguel 7%.
Entendemos que a “não redução” do preço do leite seria uma forma de repor alguma justiça e evitar que este caia para valores “ridículos” face ao panorama nacional e internacional.
Apesar das entregas entre campanhas de Verão e Inverno se encontrem em valores bastante aproximados, compreendemos a necessidade de recorrer à sazonalidade para manter o equilíbrio da produção tendo em conta as nossas características de produção à base da pastagem, não poderemos é de forma alguma aceitar a sazonalidade como argumento para não subir o preço do leite aos produtores, pois tal decisão contribui mais uma vez para agravar o diferencial de preços a que estamos sujeitos comparativamente com o Continente, principal mercado para os produtos da região.
Não somos contra a implantação de multinacionais na Região, pelo contrário julgamos que sejam necessárias para o desenvolvimento da economia local, mas sendo estas grandes beneficiárias de apoios Regionais, não podemos tolerar que assumam posições que ponham em causa a sustentabilidade das explorações visionando apenas acréscimos nos lucros. Desta forma reclamamos e exigimos que seja tomada urgentemente uma posição por parte do Secretário da Agricultura e Florestas e Governo Regional.